A construção civil reúne atividades com diferentes níveis de exposição a riscos, desde mover materiais e usar ferramentas até trabalhar em altura, operar máquinas, fazer instalações elétricas e atuar perto de estruturas em montagem.

Quanto às normas regulamentadoras, a NR-6 define os requisitos para aprovação, fornecimento e uso dos EPIs, enquanto a NR-18 trata das condições de segurança e saúde na indústria da construção.

Além de disponibilizar equipamentos adequados, a empresa precisa orientar, treinar, fiscalizar e criar condições para que o trabalhador consiga usar cada EPI da forma correta. Também é importante entender por que algumas pessoas deixam de usar os equipamentos e quais atitudes podem fortalecer uma cultura de segurança do trabalho na construção civil.

Neste artigo falaremos sobre os principais acidentes na construção civil, os equipamentos de proteção obrigatórios, as normas regulamentadoras que falam sobre segurança, e como construir uma cultura de segurança. Continue a leitura!

Quais são os principais acidentes na construção civil?

Identificar os acidentes mais comuns ajuda a reconhecer os riscos presentes em cada etapa da obra e a organizar medidas de prevenção compatíveis com cada atividade. Como a construção passa por mudanças frequentes no ambiente, chegada de novos trabalhadores, troca de equipamentos e diferentes fases de execução, a avaliação dos riscos precisa acompanhar essa evolução.

A seguir listamos os acidentes mais comuns:

Quedas: as quedas podem acontecer durante atividades em andaimes, plataformas, telhados, escadas, estruturas e locais com diferença de nível. Uma queda pode causar fraturas, traumatismos, incapacidade temporária ou permanente e, em situações graves, levar à morte.

Queda de materiais e ferramentas: esses acidentes costumam acontecer quando há trabalho em níveis diferentes, armazenamento inadequado ou movimentação de cargas. Capacetes, calçados apropriados e sistemas de proteção coletiva ajudam a reduzir a exposição, desde que estejam associados a uma organização adequada do local de trabalho.

Cortes, perfurações, esmagamentos e amputações: esses acidentes também podem ocorrer durante o uso de máquinas, ferramentas manuais e equipamentos. Serra circular, esmerilhadeira, furadeira e outras ferramentas de corte exigem treinamento, inspeção, manutenção e uso conforme as orientações de segurança.

Choques elétricos: outro acidente comum, sobretudo durante instalações, manutenções ou trabalhos perto de redes e equipamentos energizados. Contatos acidentais podem causar queimaduras, contrações musculares, quedas e alterações cardíacas. Por isso é importante controlar a energia elétrica e seguir os procedimentos aplicáveis à atividade.

Outros riscos: há ainda acidentes ligados à movimentação de materiais, exposição a poeiras, ruído, produtos químicos, calor, agentes biológicos e esforços físicos. Por isso, analisar cada atividade antes da execução ajuda a escolher as medidas de controle e os EPIs compatíveis com os perigos identificados.

Quais são os EPIs obrigatórios em obras?

A escolha dos EPIs precisa levar em conta os riscos existentes em cada atividade. A NR-6 apresenta os tipos de equipamentos de proteção individual e traz as regras sobre aprovação, uso, fornecimento, responsabilidades e treinamento.

Entre os equipamentos mais usados em obras, estão:

Capacete de segurança: protege a cabeça contra impactos e, dependendo do modelo, contra outros riscos previstos no certificado de aprovação.
Óculos de segurança: protegem os olhos contra partículas, poeiras, respingos e outros agentes.
Protetor auditivo: reduz a exposição ao ruído quando a atividade exigir esse tipo de proteção.
Luvas de proteção: protegem as mãos contra cortes, abrasão, agentes químicos, impactos ou outros riscos, conforme o modelo escolhido.
Calçado de segurança: protege os pés contra impactos, perfurações, umidade e outros riscos compatíveis com sua especificação.
Cinturão de segurança com sistema de proteção contra quedas: usado em atividades com risco de queda de altura, conforme o sistema definido para o trabalho.
Respirador: protege as vias respiratórias quando há exposição a poeiras, fumos, névoas, gases ou vapores que exijam esse tipo de proteção.
Protetor facial: protege o rosto e os olhos em atividades que possam gerar partículas, respingos ou outros agentes.
Vestimentas de proteção: usadas quando a atividade apresenta riscos que exigem proteção específica para o corpo.

A seleção do equipamento deve levar em conta o risco, a atividade, o trabalhador, as características do equipamento e o Certificado de Aprovação (CA). O Ministério do Trabalho informa que o EPI, nacional ou importado, só pode ser vendido ou usado com indicação de CA emitido pelo órgão responsável.

O EPI não deve ser tratado como substituto das medidas de proteção coletiva. Em uma obra, é responsabilidade da empresa instalar guarda-corpos, organizar acessos, proteger aberturas, controlar máquinas e manter instalações adequadas para reduzir a exposição de várias pessoas ao mesmo tempo, enquanto o EPI cobre o risco que ainda resta após essas ações.

Qual norma fala sobre segurança na construção civil?

A principal norma relacionada à segurança do trabalho na construção civil é a NR-18 – Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção. O texto atual aborda diferentes aspectos da organização e execução das atividades, incluindo o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), áreas de vivência, instalações elétricas, etapas da obra, escadas, rampas, passarelas, proteção contra quedas, máquinas, equipamentos, ferramentas, movimentação de materiais, andaimes e capacitação.

A NR-18, porém, não deve ser analisada de forma isolada. A construção civil também precisa observar outras normas conforme os riscos e as atividades realizadas. A NR-6, por exemplo, trata dos EPIs, a NR-10 está relacionada à segurança em instalações e serviços em eletricidade, e a NR-35 estabelece requisitos para atividades com trabalho em altura.

A NR-18 orienta ainda sobre o gerenciamento de riscos ocupacionais e a organização do canteiro. O Ministério do Trabalho destaca que a norma estabelece requisitos mínimos de segurança para garantir condições adequadas de saúde e segurança aos trabalhadores do setor.

Por que os trabalhadores deixam de usar os EPIs?

Entender a resistência ao uso do EPI ajuda a corrigir problemas que podem estar ligados tanto ao comportamento quanto às condições oferecidas para o trabalhador executar a tarefa.

Entre os motivos para o não uso de EPIs, estão:

Desconforto: capacetes, óculos, luvas, protetores auditivos e respiradores inadequados ao usuário ou à tarefa podem atrapalhar a execução do trabalho, causar incômodo e levar à retirada do equipamento durante a atividade.

Falta de orientação: quando o profissional recebe um EPI sem entender qual risco será controlado, como usar o equipamento, como ajustar, conservar e trocar, a percepção sobre a importância dele diminui.

Sensação de urgência: a ideia de que determinado trabalho será rápido e, por isso, não vai apresentar risco relevante. Frases como “é só um minuto” ou “sempre fiz assim” podem levar à retirada do equipamento numa situação que exige mais atenção.

Falhas de gestão: a pressão por produtividade, a falta de fiscalização, equipamentos danificados, ausência de reposição e maus exemplos vindos de supervisores também influenciam o cumprimento das medidas de segurança.

Para mudar esse comportamento, vale ouvir os trabalhadores, identificar as dificuldades encontradas e corrigir as causas. Se o óculos embaçar, por exemplo, é preciso avaliar outro modelo ou recurso compatível. Caso a luva atrapalhe a precisão de um serviço, pode-se escolher uma opção adequada ao risco e à tarefa.

Como construir uma cultura de segurança no canteiro de obras?

Criar uma cultura de segurança na construção civil exige transformar a prevenção em parte do dia a dia do trabalho, envolvendo gestores, encarregados, profissionais de segurança e trabalhadores.

O primeiro passo é organizar os riscos e definir medidas de controle. A partir dessa análise, é possível escolher equipamentos, procedimentos, proteções coletivas e treinamentos adequados para cada atividade.

A capacitação também precisa estar ligada à realidade da obra. Em vez de apresentar só informações teóricas, o ideal é mostrar como ajustar um cinturão, colocar um capacete, usar uma proteção respiratória, conservar uma luva ou checar as condições de um equipamento.

A comunicação diária pode reforçar esse aprendizado. Diálogos Diários de Segurança (DDS), reuniões rápidas, orientações antes de tarefas críticas e conversas depois de situações de risco ajudam a manter os cuidados presentes no dia a dia da obra.

Outra medida é estimular o trabalhador a avisar sobre condições inseguras, dúvidas e dificuldades relacionadas aos EPIs. Ao receber uma informação sobre um equipamento desconfortável ou uma proteção coletiva danificada, a empresa deve avaliar o problema e buscar uma solução.

Também vale reconhecer atitudes seguras e manter uma fiscalização constante. Cobrar o uso do EPI somente depois de um acidente passa uma mensagem diferente daquela construída por uma liderança que acompanha as atividades todos os dias.

Uma cultura de segurança depende de treinamento, planejamento, participação dos trabalhadores, fiscalização, disponibilidade de recursos e exemplo dos gestores. O objetivo é fazer com que cada profissional entenda os riscos da própria atividade e perceba que usar o EPI corretamente é uma forma segura de executar o trabalho.

Conclusão

Como vimos, os acidentes de trabalho na construção civil podem envolver quedas, choques elétricos, cortes, esmagamentos, impactos, exposição a ruído, poeiras e diferentes agentes presentes nas etapas de uma obra. Cada risco exige uma análise e medidas de controle compatíveis com a atividade executada.

O uso de EPIs na construção civil é uma das medidas para proteger o trabalhador, desde que o equipamento seja escolhido de acordo com o risco, tenha CA quando aplicável, seja fornecido em condições adequadas e venha acompanhado de orientação, treinamento e acompanhamento.

Enquanto a NR-18 orienta sobre os aspectos de segurança na construção civil, a NR-6 estabelece as regras relacionadas aos equipamentos de proteção individual.

Além de entregar capacetes, luvas, óculos, calçados e outros equipamentos, a empresa precisa criar condições para que cada profissional consiga trabalhar com segurança. Para reduzir a exposição aos riscos e tornar o canteiro de obras um ambiente mais seguro, é preciso planejamento, proteção coletiva, EPI, capacitação e participação dos trabalhadores.

A Ballardin Engenharia conta com treinamentos profissionais e orientações técnicas que visam garantir a saúde e a segurança dos seus colaboradores, bem como a adequação da sua empresa às normas reguladoras vigentes. Entre em contato conosco e conheça as nossas soluções para o seu negócio.

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