Transtornos mentais relacionados ao trabalho: o desafio das empresas na atualidade

 Em Doenças Ocupacionais

A crise econômica do Brasil atinge as empresas em âmbitos mais profundos do que se possa imaginar. Lucro baixo, dívidas que não param de crescer e pagamentos atrasados são problemas “comuns” aos empresários, que tentam superar essa maré ruim da melhor forma possível.

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Mas e quando o declínio do mercado afeta a saúde dos trabalhadores? É possível superar e reverter esse quadro?

O Brasil apresentou, nos últimos meses, um alto índice de desemprego. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE, no 3º trimestre de 2018, havia cerca de 13 milhões de pessoas desempregadas, dentre elas 3,197 milhões estavam nessa condição há dois anos ou mais. Um homem segurando uma carteira de trabalho

Enquanto alguns lutam para ingressar novamente no mercado de trabalho, outros dão tudo o que podem para não perder os seus lugares – incluindo até mesmo a sua saúde!

O medo da demissão tem levado os trabalhadores a acumularem cada vez mais tarefas, sacrificarem o tempo de descanso para fazer horas extras ou simplesmente aumentarem as suas jornadas de trabalho para se sentirem mais seguros em seus cargos.

O que, por um lado, pode gerar mais estabilidade profissional – em um mercado com tanta mão de obra disponível –, pode culminar, por outro lado, no aumento de casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho e, consequente e contraditoriamente, em mais afastamentos por parte dos trabalhadores.

Somente em 2017, os transtornos mentais e comportamentais foram responsáveis pelo afastamento de quase 180 mil trabalhadores, segundo um levantamento realizado pela Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda.

Entre os casos de transtornos mais apresentados estão a depressão, as crises de estresse ou ansiedade e alguns tipos de fobias – problemas que podem se manifestar em situações fora do ambiente ocupacional, mas que existem grandes chances de serem agravados devido às péssimas condições de trabalho.

E esse é um fator problemático!

Um acidente que acontece dentro de uma empresa, enquanto o colaborador realiza a sua atividade, será claramente considerado um acidente de trabalho, o mesmo acontece com doenças como a LER, que são incontestavelmente desenvolvidas pela repetição de movimentos realizados no ambiente ocupacional.

No caso dos transtornos mentais, porém, não é tão simples de provar ou vincular o distúrbio às condições de trabalho. Na prática, isso significa que existe uma grande chance de o número de casos de trabalhadores com essas doenças ser muito maior do que o registrado e divulgado atualmente e o X da questão nesse caso é que, sem a exata dimensão do problema é muito difícil e improvável que ele seja tratado como tal.

Casos de afastamento do trabalho

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é muito provável que, até 2020, a depressão seja o principal motivo de afastamento do trabalho. No Brasil, só em 2016, 30% dos afastamentos já foram relacionados a esse problema, de acordo com dados divulgados pelo INSS.

Além dos números serem alarmantes, há ainda uma questão que torna os casos dos transtornos mentais relacionados ao trabalho mais preocupante: o fato de não ter uma cura definitiva.

Diferentemente de outros problemas de saúde, que basta tomar um remédio que, em alguns dias, a doença desaparece por completo, os transtornos mentais podem levar meses para apresentarem melhoras – isso quando o paciente tem o devido acompanhamento psicológico ou psiquiátrico e leva a sério o seu tratamento.

Porém, nem após apresentar melhoras a pessoa que desenvolve um transtorno mental está 100% livre desse problema. Isso porque, se ela entrar em contato com aquele fator que desencadeou o seu estresse ou depressão (ou qualquer outro transtorno), ela poderá voltar a apresentar os mesmos sintomas já “tratados”.

Transtornos mentais mais comuns relacionados ao trabalho

A depressão, ansiedade e estresse são alguns dos problemas mais conhecidos e mais desenvolvidos pelos trabalhadores. Porém, eles não são os únicos.

Profissionais que tiveram que lidar com uma situação extremamente traumática ou violenta costumam desenvolver o transtorno do estresse pós-traumático. Aproximadamente 20% das pessoas que se envolveram, de alguma forma, em casos de violência urbana, agressão física, terrorismo, abuso sexual, tortura, acidentes, assaltos, guerra e sequestros desenvolvem esse distúrbio. 

No âmbito do trabalho, o transtorno do estresse pós-traumático é comum entre motoristas e cobradores de ônibus, vigias, bancários e operadores de caixas de supermercados. Isso porque esses profissionais estão constantemente expostos à violência e, na maioria das vezes que sofrem algum trauma, dificilmente conseguem superá-lo.

Outro transtorno muito recorrente é a síndrome de Burnout, que pode ser entendida como um esgotamento físico e intelectual causado pelo excesso de estresse no trabalho.

Segundo uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma), aproximadamente 30% dos trabalhadores do Brasil sofriam com esse mal só entre os anos de 2013 e 2014.

Normalmente, as pessoas que mais desenvolvem essa síndrome são aquelas que trabalham diariamente com o sofrimento humano, como médicos, enfermeiros, psicólogos, professores, bombeiros, assistentes sociais, oficiais de justiça, carcereiros, entre outros.

Outro fator importante ainda sobre a pesquisa da Isma é que, entre os profissionais com a síndrome de Burnout as mulheres são maioria. A estimativa é que 54% das pessoas que sofrem com esse mal são do sexo feminino, o que é bastante fácil de entender, já que as mulheres normalmente têm que lidar com o estresse de uma jornada dupla de trabalho.

Como combater os transtornos mentais relacionados ao trabalho

Embora o número dos casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho seja alarmante, são poucas as empresas que se dedicam a identificá-los e combatê-los, o que é um grande erro, afinal, os problemas de saúde de um profissional podem impactar diretamente em seu rendimento ou até desencadear outros problemas, como dependência de álcool e drogas.

Para evitar que quadros como esses sejam desencadeados dentro do ambiente de trabalho, é preciso que as empresas estejam dispostas a evitá-los e principalmente, mantenham o olhar atento sobre os seus colaboradores. Assim, será possível identificar, por exemplo, quais os setores têm as maiores chances de exporem os trabalhadores aos transtornos mentais.

Com esse mapeamento, se torna mais fácil identificar também o motivo do problema e adotar medidas de prevenção, restringindo, por exemplo, a carga horária diária ou implantando atividades de controle para esses distúrbios.

Manter uma comunicação aberta com os colaboradores ou realizar pesquisas para avaliar o clima organizacional também são alternativas eficientes, pois dão abertura para que os colaboradores exponham aquilo que pode servir como gatilho para o desenvolvimento de síndromes e distúrbios.

Evite os transtornos mentais relacionados ao trabalho dentro da sua empresa

Infelizmente, os transtornos mentais ainda não recebem a visibilidade que merecem dentro dos ambientes organizacionais, impactando a vida pessoal e profissional dos colaboradores. Porém, com um trabalho de conscientização e propagação da informação, esse cenário pode mudar.

Então, dedique-se a conhecer esse tema mais a fundo, estude se esse problema faz parte da realidade da sua empresa e, se necessário, conte com o apoio de profissionais especialistas no assunto para combater os transtornos mentais relacionados ao trabalho!

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